O mostrengo que está no fundo do mar
no fundo do meu mar... se alimenta
do mêdo, da ignorância e do orgulho
Me causa dano, dolo moral sem nenhum alento
e me leva a discriminar meus irmãos
que dizem que não somos cristãos... !
Minha ignorância... ignorância minha não vejo !
três vezes rodou a chiar
E disse: Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tetos negros do fim do mundo?
E o homem do leme disse, tremendo:
o povo que sofre eternamente
E o mostrengo, novamente rodou três vezes,
pensando certo, porém imundo e grosso.
Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém sabe meu ócio
E escorro os medos do mar sem fundo?
E o homem do leme tremeu, e disse:
Sou eu, somos nós que pensamos ser carnes e ossos.
E disse no fim de tremer três vezes:
Aqui ao leme sou mais que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
numa eternidade ou nun Segundo!

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